Da Black Friday ao Natal: como pequenos e médios varejistas podem ganhar visibilidade nas IAs
Uso de IA para escolher produtos avança entre os consumidores. A Modocon, agência de gestão de reputação de marcas e empresas, lista ações para ajudar fabricantes e lojistas a fazer parte das respostas do ChatGPT e de outros assistentes.
4 de novembro de 2026. Ser líder de mercado não basta para aparecer nas respostas da inteligência artificial (IA). Na pesquisa Nova Lógica de Compra, da Stefanini, divulgada em junho, empresas com menor participação de mercado foram mais citadas pelas IAs do que as líderes, e 90% dos entrevistados disseram ter conhecido marcas novas por meio da IA. Para pequenos e médios varejistas, isso abre espaço justamente nas datas mais disputadas do ano: a Black Friday, o amigo secreto e o Natal.
O hábito vem ganhando tração rápida entre os consumidores. Segundo o levantamento Panorama de Consumo 2026, realizado pelo Mercado Pago com 3.345 usuários do Mercado Livre e do Mercado Pago, 54% dos compradores pretendem recorrer a recursos de IA para escolher produtos neste fim de ano, ante 48% registrados em 2025.
“A IA não mede o faturamento da empresa, mede a confiança da informação”, afirma Alex Cabral, diretor e fundador da Modocon, agência de gestão de reputação de marcas e empresas. “O seller com boa avaliação, a marca própria com um pós-venda que funciona e a rede regional que entrega no mesmo dia têm o que mostrar. O que costuma faltar é essa informação estar publicada de um jeito que a máquina consiga ler.”
Na avaliação dele, a IA cumpre dois papéis nas compras de fim de ano. Quando a compra é para si, ajuda o consumidor a tirar dúvidas e comparar modelos. Quando é para presentear, seja no amigo secreto, no Natal ou na própria Black Friday, o consumidor muitas vezes não sabe o que quer e terceiriza a dúvida para a máquina, que vira vitrine e passa a sugerir produtos. Nos dois casos, para Cabral, leva vantagem quem tem a informação mais clara e a reputação mais limpa, não quem tem a maior verba.
As IAs montam suas recomendações a partir de conteúdos que seus robôs conseguem ler e verificar: sites, reportagens, guias de presentes, avaliações de clientes, blogs e fóruns de discussão. Por isso, boa parte do trabalho não exige investimento em mídia, e sim organização e reputação.
A seguir, o que marcas, fabricantes e lojistas de médio porte podem fazer, em cada data do fim de ano, para se sair bem na comparação e entrar nas recomendações.
Black Friday
O foco deve ser em conteúdo que responda à pergunta que o consumidor leva à IA: quem tem as melhores especificações e as melhores avaliações?
- Fabricante e marca própria: ficha técnica completa, comparativos com concorrentes e testes de durabilidade publicados. Sem argumento técnico, a IA não tem como defender o produto no desempate, por menor que seja o preço.
- Lojista ou seller: histórico de preço verificável, para afastar a suspeita de desconto falso, boa reputação em plataformas de avaliação e checkout seguro, para responder à pergunta “essa loja é confiável?”.
Parte de quem compra na Black Friday já está pesquisando também o presente de Natal. Para esse cliente, a IA sugere. Publique desde já os guias de presentes por perfil e faixa de preço.
Amigo secreto e Natal
No amigo secreto, a pergunta é: quem vende o presente dentro do orçamento e entrega antes da confraternização? No Natal, a pergunta muda: qual é a escolha mais segura de presente, que chegue a tempo?
- Fabricante e marca própria: kits com preço fechado, como “presentes até R$ 50” ou “kits para quem ama café”, descritos por perfil de quem vai ganhar, e presença em guias de presentes da imprensa e em fontes independentes.
- Lojista, seller ou rede regional: frete expresso, retirada em loja e estoque local visível, prazo de entrega antes de 24 de dezembro informado com clareza e política de troca simples para janeiro. Para quem deixou a compra para a última hora, entregar no mesmo dia é um dos argumentos mais fortes da rede regional.
Ajustes que valem para as três datas
Alguns ajustes dependem do seu site. Outros dependem do que se fala sobre a marca fora dele. A maioria custa pouco ou nada.
No website
- Abra a porta para os robôs das IAs. ChatGPT, Claude, Perplexity e outros assistentes enviam robôs para ler os sites. A liberação fica num arquivo do site chamado robots.txt. Peça a quem cuida do seu site, ou à sua plataforma de e-commerce, para conferir se os robôs de busca das IAs estão liberados. Loja trancada não entra na vitrine.
- Escreva o que importa em texto, não só em imagem. Preço, medidas, voltagem, prazo, garantia e política de troca que aparecem só dentro de um banner, de uma foto ou de um PDF costumam ser invisíveis para a IA. O mesmo vale para informação que só surge depois que a página carrega efeitos: muitos robôs leem a página sem montá-la como o navegador faz.
- Fale a língua de quem pergunta. Ninguém pergunta à IA por uma “fritadeira elétrica de 4,2 litros”. Pergunta: “qual a melhor air fryer para família grande até R$ 800”. A descrição que junta o termo técnico e o jeito como o cliente fala aparece nos dois tipos de pergunta. Use também o mesmo nome do produto no site, no marketplace e nas redes: três nomes viram três produtos diferentes para a IA.
- Responda antes que perguntem. Uma seção de perguntas frequentes na página do produto, como “cabe em bancada pequena?”, “qual o consumo de energia?” e “como acionar a garantia?”, com respostas curtas e diretas, é um formato fácil de a IA reaproveitar na resposta.
- Crie seus próprios guias de presentes. Páginas como “presentes até R$ 100” ou “presentes para o amigo secreto do trabalho” respondem, quase palavra por palavra, ao que o consumidor pergunta à IA.
- Mantenha o catálogo do Google em dia. O Google usa o catálogo de produtos cadastrado no Merchant Center para mostrar produtos nas buscas com IA. Preço, estoque e frete desatualizados ali viram resposta errada.
- Cadastre o site também no Bing. O Copilot, assistente da Microsoft, se apoia no buscador da empresa. O cadastro no Bing Webmaster Tools é gratuito e leva poucos minutos.
- Tire do ar a promoção vencida. Página de oferta antiga esquecida no site pode levar a IA a citar um preço que não existe mais, e o cliente chega à loja desconfiado.
- Coloque etiquetas invisíveis nas páginas. Os chamados dados estruturados são marcações que o cliente não vê, mas que dizem aos sistemas “isto é um preço”, “isto é uma avaliação”. Muitas plataformas de e-commerce já geram parte delas, e vale conferir se estão completas. Não são requisito para aparecer em respostas de IA, mas garantem consistência entre o que a página diz e o que os sistemas entendem.
Fora do site
- Peça avaliações com detalhe. A IA resume o que os compradores escreveram, no site, no marketplace e no Google. “Ótimo” não ajuda ninguém; “a bateria durou dois dias de praia sem precisar recarregar” ajuda. Até a crítica detalhada, como “o aparelho esquentou rápido demais”, informa quem vai comprar. E responda às avaliações, inclusive as negativas: a resposta da loja também é lida.
- No marketplace, o anúncio fala por você. Responda às perguntas feitas no anúncio e às avaliações dos compradores. Esse texto é público, fica ao lado do produto e responde exatamente às dúvidas que o próximo cliente vai levar à IA.
- Cuide do Perfil da Empresa no Google. Para quem tem loja física ou oferece retirada, endereço, horários de fim de ano atualizados, telefone, fotos e avaliações respondidas no perfil do Google alimentam as respostas sobre onde comprar perto de casa. É um terreno em que a rede regional joga em casa.
- Faça o produto chegar a quem avalia. Vídeos de avaliação, demonstração e “abrindo a caixa” feitos por canais independentes no YouTube estão entre as fontes mais citadas pelas IAs em perguntas de compra. Enviar o produto para quem avalia com independência é mais indicado do que a marca falar de si mesma, e custa menos do que uma campanha.
- Apareça onde a marca não fala sozinha. Matérias na imprensa, resenhas em fóruns de discussão e portais que publicam rankings e avaliações de clientes pesam mais do que a propaganda da própria marca, porque mostram a opinião de quem não tem interesse direto na venda.
Para fechar
Faça medições toda semana. O Google Analytics mostra quantas visitas chegam do ChatGPT, do Perplexity e de outros assistentes. Se o número for zero, algo está bloqueando ou faltando.
Sobre a Modocon
A Modocon é uma agência de gestão de reputação de marcas e empresas, focada em construir, fortalecer e proteger a autoridade e a credibilidade de seus clientes no mercado, na imprensa, nos mecanismos de busca, nas respostas de IA e no conteúdo próprio. Fundada em 2018, cunhou o termo Reputação Generativa, em 2026, para nomear a disciplina que posiciona empresas na era da inteligência artificial. Para saber mais, acesse modocon.com.br.
Contato de imprensa
Modocon, Imprensa: imprensa@modocon.com.br. Outros releases e artigos estão na sala de imprensa.