O que as IAs consultam para citar e recomendar (ou não) sua marca
Resumo executivo: Assessoria de imprensa, release e SEO ajudam, mas nenhum deles basta para uma marca aparecer nas respostas de IA. Estudos de 2026 e medições da própria Modocon mostram que cada modelo tem hábitos próprios, que release aparece mas oscila, que listas de concorrentes pesam no mercado de serviços e que ser lido pela IA não garante crédito, muito menos recomendação.
Se disseram a você que disparar comunicados em plataformas pagas e fazer o "básico bem feito" no SEO são suficientes para dominar o ChatGPT, Gemini, Claude, Perplexity e outros modelos de IA, sua estratégia já nasceu defasada.
Quando alguém pergunta a uma IA ou ao Google qual empresa contratar, a resposta não sai do nada. Cada sistema busca fontes, escolhe algumas e monta um texto. Entender quais fontes entram nessa escolha virou uma pergunta de negócio, e não só de marketing.
Assessoria de imprensa, release e SEO ajudam. Nenhum deles basta. Os algoritmos não são públicos, mas já existem estudos grandes o suficiente para mostrar padrões, quase todos feitos por empresas que vendem ferramentas de medição, e a própria Modocon mede isso no mercado em que atua. Vamos ao que os dados mostram, e também ao que eles não mostram.
Assessoria de imprensa, release ou SEO: algum deles basta para aparecer nas IAs?
Não. Cada disciplina cobre uma parte do que as IAs leem e deixa o resto descoberto. A imprensa é cerca de um quarto das citações; o release aparece pouco e com crédito incerto; e o SEO só coloca a página na disputa, mas não decide se a IA vai citar a marca, muito menos se vai recomendá-la para fechar negócio.
| Atalho | O que se costuma prometer | O que os dados mostram |
|---|---|---|
| Assessoria de imprensa | Matéria em veículo leva a marca às respostas | Jornalismo é cerca de 27% das citações no estudo mais citado do setor. No mercado de agências medido pela Modocon, imprensa e outras fontes conquistadas somaram 17% |
| Distribuição de release | Release em plataforma paga multiplica a presença | Release foi 1,1% das citações em maio de 2026. No caso medido pela Modocon, o crédito foi para o portal, não para quem criou a ideia |
| SEO | Página bem posicionada vira resposta de IA | No AI Overview, menção à marca em outros sites teve correlação maior que links. E em perguntas informativas o ChatGPT quase não busca: responde de memória |
Fontes: Muck Rack, maio de 2026; Ahrefs, maio de 2025; Cloro, agosto de 2026; medições da Modocon, agosto e setembro de 2026
Existe uma hierarquia de fontes para as IAs?
Existe um padrão, mas é menos óbvio do que o mercado prega. No estudo mais citado do setor (Muck Rack, maio de 2026), 84% das citações em perguntas de consumidores vêm de "mídia conquistada", e o conteúdo pago fica em 0,3%. A primeira inclui pesquisa acadêmica, governo, enciclopédias, redes sociais e conteúdo de terceiros. Jornalismo é cerca de 27%.
Ou seja: a imprensa pesa muito, mas não joga sozinha. E a intenção da pergunta muda a fonte: perguntas sobre "tendências do setor" puxam mais que o dobro de jornalismo do que perguntas do tipo "como fazer", e é também nelas que os releases aparecem.
Cada IA escolhe fontes do mesmo jeito?
Não. Tratar "a IA" como uma coisa só é o primeiro erro a evitar. Cada sistema tem hábitos próprios: cita em proporções diferentes, usa quantidades diferentes de fontes e confia em tipos de domínio diferentes, embora alguns, como a Wikipédia, apareçam em todos.
É por isso que a Modocon não parte de médias de mercado: lê cada modelo separadamente antes de juntar qualquer número, declara quando junta e só então traça a estratégia. Veja como eles diferem:
| Sistema | O que os estudos mostram |
|---|---|
| ChatGPT | Cita fontes em 96% das respostas, com média de 5 por resposta, e o domínio mais citado é a Wikipédia. O LinkedIn aparece em 14,3% das respostas do ChatGPT Search |
| Claude | Cita em só 55% das respostas, mas usa em média 13 fontes quando cita, e a mais citada é a PubMed Central, base de pesquisa científica |
| Gemini | Cita em 82% das respostas, com média de 8. O domínio mais citado é o Reddit, mas com só 2,4% das citações: a lista é muito espalhada |
| Perplexity | Cita pouco o LinkedIn, 5,3% das respostas, e quando cita prefere páginas de empresa, 59% |
| Modo IA do Google | LinkedIn em 13,5% das respostas, com preferência por conteúdo de pessoas, não de empresas |
| AI Overview do Google | Num estudo da Ahrefs de maio de 2025, com 75 mil marcas, a maioria de sites grandes, o fator mais ligado a aparecer foi menção à marca em outros sites, com correlação de 0,664, acima de links. É correlação, não causa |
| Copilot | Quase nenhum estudo público o analisa isoladamente. Aparece em levantamentos agregados, como o que colocou o LinkedIn como domínio mais citado em perguntas profissionais em seis plataformas, Copilot incluído |
Fontes: Muck Rack, maio de 2026; Semrush, janeiro e fevereiro de 2026, estudo feito em parceria com o próprio LinkedIn; Ahrefs, maio de 2025; Profound, novembro de 2025 a fevereiro de 2026
Um detalhe crítico que a Modocon mediu e nenhum estudo agregado mostra: o AI Overview e o Modo IA do Google, na mesma busca e no mesmo instante, usam fontes diferentes. Em 10 de setembro de 2026, para "reputação generativa", um trouxe 5 fontes e o outro 8. E o AI Overview reescreveu a própria resposta entre dois carregamentos seguidos.
Um print de tela mostra apenas um momento, não a realidade da sua marca.
Uma matéria num grande veículo vale quantos posts no LinkedIn?
Essa taxa de câmbio não existe, e você deve desconfiar de quem oferecer um número mágico. Matéria e post cumprem funções distintas: a imprensa dá o lastro de terceiro que sustenta a autoridade da empresa; o LinkedIn alcança as perguntas profissionais que o jornalismo não cobre.
Os dados também derrubam o mito de que a IA ignora posts curtos. Segundo a Profound, posts do feed chegaram a 26% das citações de LinkedIn no ChatGPT. E, segundo a Semrush, o post citado típico tem engajamento moderado, entre 15 e 25 reações, e cerca de três em cada quatro autores citados publicam com frequência. Constância e conteúdo que resolve problemas reais pesam mais do que viralização.
A IA sabe o que é publieditorial e release pago?
Ninguém fora das big techs sabe exatamente como esses sistemas classificam cada página. Mas os resultados entregam o jogo: conteúdo pago quase não aparece nas citações, e o release aparece, mas oscila. Segundo a Muck Rack, ele foi de 1,2% das citações em julho de 2025 para 6% em dezembro e voltou a 1,1% em maio de 2026.
A Modocon viu isso de perto. Um release sobre Reputação Generativa, distribuído por uma plataforma paga em julho de 2026 e publicado na área patrocinada de um grande portal econômico, apareceu nas respostas de IA do Google. A ideia central estava lá, mas o crédito foi para o portal, não para quem pagou pelo release. E em outra medição, portais que apenas republicam releases apareceram entre as fontes mais citadas sobre o mercado da Modocon, com o mesmo peso de veículos editoriais.
Esse é o perigo do conteúdo "comprado": distribuir uma ideia não é o mesmo que construir reputação sobre ela. Para isso, o conteúdo próprio precisa estar publicado, claro e datado, a mesma lógica que separa PR digital e assessoria de imprensa tradicional.
Quais outras fontes as IAs consultam, além da imprensa e do LinkedIn?
Muitas, e várias pesam tanto quanto as que costumam entrar no plano de comunicação. A diferença é que a maioria delas é escrita por terceiros, e é justamente por isso que conta: a IA procura alguém que não seja a própria marca falando de si.
- Enciclopédias e bases de conhecimento. A Wikipédia é o domínio mais citado pelo ChatGPT e aparece nos três grandes modelos. Bases estruturadas, como o Wikidata, ajudam o Google a saber quem é quem
- Fóruns e comunidades. Reddit, Quora e fóruns de nicho. Pesam muito em algumas plataformas e quase nada em outras
- Pesquisa acadêmica e fontes de governo. O domínio que o Claude mais cita é uma base de pesquisa científica
- Listas e rankings. Os textos do tipo "melhores empresas de" estão entre as fontes mais lidas em perguntas de contratação
- Diretórios e sites de avaliação. Clutch, G2, Reclame Aqui e similares. Funcionam como a opinião de terceiros que a IA procura
- Anuários setoriais. No mercado de agências medido pela Modocon, uma única página de um anuário setorial foi citada 31 vezes numa pergunta sobre as melhores agências para empresas
- Vídeo. YouTube e até vídeos curtos de redes sociais aparecem creditando trechos de respostas do Google
- O site da própria empresa. É a única fonte que a empresa controla inteira, e a IA o lê. Mas ser lido não garante crédito, como mostra a medição dos 35% mais abaixo: o site precisa dizer com clareza quem a empresa é, o que faz e para quem, em frases que a IA consiga citar sem cortar
- A mesma empresa, descrita do mesmo jeito em vários lugares. Site, página no LinkedIn, Perfil da Empresa no Google, Wikidata, diretórios e cadastros públicos. É nesse cruzamento que a IA confirma que está falando da empresa certa. Quando os lugares concordam no nome, na atividade e na descrição, ela tem como confirmar. Quando divergem, fica sem base para isso, e é aí que mora o risco de confusão com outra empresa
Existe ainda uma distinção que muda a leitura de tudo isso. A IA responde de dois jeitos: quando busca na web na hora, ela cita fontes e dá para medir; quando responde de memória, pelo que aprendeu no treinamento, não cita nada, e pesa o que estava publicado e repetido meses antes. Quem decide o modo é a pergunta. Num teste feito em agosto de 2026 em dez países pela Cloro, empresa que vende acesso a dados de buscadores e de IAs, o ChatGPT buscou na web em 86,5% das perguntas de compra e em menos de 1% das perguntas informativas, como definições. O Claude, como mostra a tabela acima, é ainda mais econômico: cita fontes em só 55% das respostas.
E a IA erra sobre empresas, sobretudo as menos conhecidas. Dois levantamentos de 2026, feitos por empresas que vendem monitoramento de IA, chegaram a números parecidos: um, com 165 empresas de Londres, viu os modelos confundirem pequenas e médias empresas com outras companhias em 4% das respostas, contra 0,7% das grandes; o outro, com 250 empresas de 20 setores, viu 5% delas confundidas com um negócio diferente. A primeira camada se mede pelas citações; a segunda, só pelo acerto da resposta.
Os pesos mudam conforme o mercado?
Mudam, e é por isso que aplicar uma "tabela fixa" de pesos a qualquer cliente é erro de método. Três forças mexem no peso das fontes ao mesmo tempo: o setor da empresa, o momento da compra e a plataforma em que a pergunta é feita. Nenhuma delas cabe num número único.
O setor. O jornalismo responde por 36% das citações em mídia e entretenimento e por cerca de 19% em indústria. Um levantamento de uma empresa de monitoramento, feito com os dados da própria plataforma e ainda não auditado, sugere o contraste com clareza: em bens de consumo, fontes editoriais seriam só 4% das citações, com comunidades e páginas de marca e varejo dividindo o resto; em serviços de comunicação, as fontes editoriais e de referência chegariam a 40%.
O momento da compra. Quem ainda está entendendo uma categoria recebe respostas apoiadas em comunidades e conteúdo educativo. Quem já compara fornecedores recebe outra coisa: num levantamento da Ten Speed, uma agência de marketing que analisou citações ligadas aos próprios clientes de software e serviços profissionais, páginas de produto ficaram com 24% das citações nessa fase, contra 4% de Reddit e YouTube.
A plataforma. O mesmo Google trata fontes de formas diferentes em produtos diferentes. Na medição da Modocon citada acima, o AI Overview e o Modo IA usaram 5 e 8 fontes na mesma busca, no mesmo instante.
Na prática, o padrão que aparece é este:
| Consumo (B2C) | Empresas (B2B) | |
|---|---|---|
| Fontes que tendem a pesar mais | Comunidades, vídeo, avaliações de consumidor, páginas de varejo | Imprensa setorial, LinkedIn, diretórios e avaliações profissionais, listas e rankings, páginas de produto |
| Papel da imprensa | Menor e mais concentrado em lançamentos e tendências | Maior, sobretudo em perguntas sobre o setor |
| Fonte subestimada | Vídeo de quem usou o produto | Sites e listas publicados por outras empresas do mesmo setor |
Fontes: síntese da Modocon a partir dos estudos citados neste artigo e das medições próprias de agosto e setembro de 2026
Essa última linha a Modocon mediu no próprio mercado. Foram 4.548 citações feitas por três modelos de IA a dez perguntas sobre contratar agência de comunicação no Brasil, entre 25 de agosto e 10 de setembro de 2026. Somados os três modelos:
71% das citações vinham de sites de outras agências, a maior parte em listas do tipo "melhores agências". Imprensa e outras fontes conquistadas somaram 17%; comunidades, 9%.
É um retrato bem diferente dos estudos globais, e é exatamente esse o ponto: o peso de cada fonte só se descobre medindo a sua categoria, no seu idioma, com as perguntas que o seu comprador faz.
Aparecer na resposta da IA é o mesmo que ser recomendado?
Não, e essa diferença separa quem gera negócio de quem gera relatório de vaidade. Aparecer, ser citado e ser mencionado são formas de presença: mostram que a IA encontrou a empresa. Ser recomendado é o fundo do funil: é quando a IA age como um consultor e diz ao usuário "contrate esta empresa para este problema".
Numa medição feita em 17 e 18 de agosto de 2026 com três modelos de IA, o site da própria Modocon foi consultado em 35% das respostas e não recebeu crédito visível em nenhuma delas. Nos três dias seguintes, com duas páginas reorganizadas, o site passou a receber crédito visível nas respostas. Não dá para atribuir a mudança a uma causa só, e é por isso que a medição continua. O caso está contado também no guia de Assessoria de Imprensa na era da IA.
Toda recomendação exige presença, mas nem toda menção vira recomendação. Quem mede apenas se o nome apareceu no ChatGPT está comemorando a métrica errada. Presença é condição. Recomendação é o que chega a quem decide.
O que fazer agora?
Trocar o achismo por medição. A caixa-preta das IAs não se resolve com adivinhação nem com fórmula pronta: resolve-se com método, perguntando, registrando e comparando o que cada modelo responde sobre a sua empresa. Na prática, isso vira três decisões.
- Pare de procurar a bala de prata. Imprensa conquistada, LinkedIn assinado por pessoas, site claro e presença nas listas do seu setor não são táticas isoladas: são engrenagens que precisam girar juntas
- Diagnóstico antes do investimento. Você sabe o que o ChatGPT, o Gemini e o Claude dizem hoje sobre a sua empresa, e de onde tiraram isso? A resposta muda por modelo, então leia cada um separado antes de gastar com execução às cegas
- Fuja das fórmulas mágicas. Desconfie de quem vende atalho que ninguém consegue rastrear. Boa parte do que circula sobre como aparecer nas respostas de IA é estimativa de fornecedor apresentada como fato
Assessoria de imprensa e SEO não morreram, mas sozinhos não bastam. São duas das seis camadas do que a Modocon chama de Reputação Generativa, a mídia conquistada e a otimização para busca. O que faltava era o resto: conteúdo próprio, autoridade de marca e de executivos, otimização para respostas de IA e o monitoramento do que os modelos respondem. É esse trabalho integrado que constrói o que o mercado percebe, a imprensa publica, a busca resume e a IA responde.
A Modocon não tenta adivinhar: mede o que as IAs respondem sobre a sua empresa, modelo por modelo, verifica de onde tiraram cada resposta e só então desenha o plano. Você sabe quem a IA recomenda hoje quando perguntam pelo seu mercado?
Agende seu diagnóstico →Perguntas frequentes
De onde as IAs tiram o que dizem sobre uma empresa?
De muito mais do que o site da empresa ou a imprensa. As IAs cruzam jornalismo, enciclopédias, LinkedIn, fóruns, listas publicadas por concorrentes, diretórios de avaliação e até vídeos. E parte da resposta vem da memória do modelo, do que ele aprendeu no treinamento, sem citar fonte nenhuma. Sem presença consistente nessas fontes, a IA ignora a empresa ou a confunde com outra.
ChatGPT, Gemini e Claude usam as mesmas fontes?
Não. O ChatGPT cita fontes em 96% das respostas e tem a Wikipédia como domínio preferido; o Claude cita em pouco mais da metade, mas usa mais fontes quando cita; o Gemini espalha as citações por muitos domínios. Usar a mesma tática para todas as IAs desperdiça esforço, e por isso o plano precisa ser desenhado modelo por modelo.
Release distribuído por plataforma paga ajuda a aparecer nas respostas de IA?
Ajuda a ideia a circular, mas não garante crédito a quem a criou. Num caso medido pela Modocon com um release da própria agência, a IA absorveu a ideia central e deu o crédito ao portal que publicou o texto, não a quem pagou pela distribuição. Distribuir uma ideia não é o mesmo que construir reputação sobre ela.
Aparecer na resposta da IA é o mesmo que ser recomendado?
Não, e essa diferença separa quem gera negócio de quem gera relatório de vaidade. Aparecer, ser citado e ser mencionado são formas de presença: mostram que a IA encontrou a empresa. Ser recomendado é o fundo do funil: é quando a IA age como um consultor e diz ao usuário "contrate esta empresa para este problema".
Como descobrir de onde as IAs tiram o que dizem sobre a minha empresa?
Perguntando a cada IA, com as perguntas exatas que o seu cliente ideal faz, o que ela responde hoje sobre a sua empresa e sobre os seus concorrentes, e registrando as fontes de cada resposta, modelo por modelo. O peso de cada fonte só se descobre medindo a sua categoria, e a medição precisa se repetir, porque cada resposta descreve um momento. É esse levantamento que um diagnóstico de visibilidade em IA entrega.
Por que a IA confunde uma empresa com outra?
Porque ela confirma de quem está falando cruzando o que encontra em vários lugares: site, página no LinkedIn, Perfil da Empresa no Google, Wikidata, diretórios e cadastros públicos. Quando esses lugares divergem no nome, na atividade ou na descrição, a IA fica sem base para confirmar, e o risco de confusão aumenta. Dois levantamentos de 2026 encontraram empresas confundidas com outras em 4% e 5% dos casos, com mais frequência entre as menores.